quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Memorando para mim mesma

Hoje escrevo. E escrevo simplesmente porque me apetece escrever.
Não, não tenho nada de importante para dizer ou deixar escrito. Não, não é algo urgente ou um recado que me esqueci de dar. E também não é mais um daqueles parágrafos lamechas que podemos encontrar em qualquer um dos livros à venda numa prateleira de supermercado - ou neste blog. E não é para ninguém em particular, a não ser para mim mesma. E não, não terá qualquer interesse ler isto, pelo que, se já começou, caro leitor, o ponto final nesta frase é a sua deixa para parar. Não, não é interessante, didáctico ou importante. Não, não é nada disso. É apenas um doce capricho da alma, uma vontade de combater as minhas batalhas interiores, congratular os vencedores e enterrar os vencidos. É apenas mais um daqueles episódios em que me sinto como sou em vez de me sentir como deveria ser. É só mais uma fuga à minha realidade gritante e apertada, que não me deixa respirar. É isso mesmo, uma fuga, escrita em português e não numa pauta musical, mas uma fuga. Então, caro leitor, que ainda não parou de ler um texto que não lhe deverá despertar qualquer interesse, escrevo para poder fugir. E fujo, corro a cidade a cada letra e no fim de cada frase, a cada ponto final, salto da falésia em direcção ao mar, como um pequeno pássaro a aprender a voar. E voo, desajeitada e livre, como se fosse o último dia da minha vida ou, quem sabe, o primeiro. Voo porque quero ser livre e escrever é a minha liberdade. Voo porque quero aprender a escrever e escrevo porque quero aprender a voar. Amo porque escrevo. Escrevo porque amo. Vivo porque escrevo e escrevo porque vivo. Sou eu e a minha língua, numa relação perfeita - umas vezes simples, outras, complexa. E com as suas zangas, é claro. Ás vezes, chateio-me com ela porque não tem palavras suficientes para descrever o que quero dizer. Outras vezes ela chateia-se comigo, porque a maltrato ou uso de uma maneira menos correcta ou porque também mantenho uma relação perfeita com a música. É com elas - com a Língua e a Música - que eu voo, que sorrio, que choro, rio, caio, sofro, sonho e vivo as vidas que não me pertencem mas que eu tanto gosto de fingir que pertencem. 
Em suma, meu caríssimo e corajoso leitor, que não tem mais nada que fazer da vida senão ler este meu vômito da mente -  a sí, meu caro, lhe digo com toda a certeza:
Se o seu interesse é voar, basta sentir.

Fácil (?) ...

2 comentários:

Vulto Negro disse...

Excelente texto =)

Será que existe uma atitude a acompanhar tal pensamento?

Templedread disse...

Gostei deste registo diferente e faço a mesma pergunta que fez o meu amigo.